Quem perde mais com títulos cancelados, Bolsonaro ou Haddad?

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Supremo manteve cancelamento de títulos de 3,3 milhões de eleitores

O STF (Supremo Tribunal Federal) já formou maioria nesta quarta-feira (26) para manter a suspensão de 3,3 milhões de títulos de eleitores que não fizeram a revisão a pedido da Justiça Eleitoral, em geral via cadastramento biométrico.

Neste ano, de acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), 147,3 milhões de brasileiros estão aptos a votar. O número de títulos cancelados representa, portanto, 2,2% do total de eleitores. Pode parecer pouco, mas é muito em uma eleição apertada. O número de títulos cancelados este ano é praticamente igual à diferença de votos entre Dilma e Aécio no segundo turno das eleições há quatro anos atrás: 3,45 milhões de votos tiraram a vitória de Aécio Neves e levaram Dilma mais uma vez ao Planalto.

O cenário de uma eleição muito disputada se repete em 2018. E o impacto do cancelamento, portanto, será grande. A maior parte dos cancelamentos de títulos aconteceu em áreas mais pobres, especialmente no Norte e no Nordeste, redutos eleitorais dos petistas Lula/Haddad e onde Ciro Gomes também é mais forte.

O reflexo negativo da decisão do STF tende a ser maior nas candidaturas de Haddad e Ciro, e menor nas de Bolsonaro, Alckmin e Marina Silva.

De acordo com a última pesquisa de inteções de voto CNI/Ibope, divulgada nesta quarta, Bolsonaro tem 27% das intenções de voto e Haddad 21%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, Bolsonaro pode ter 25% e Haddad 23%. Na simulação de segundo turno, Haddad tem 42% e Bolsonaro 38%, empatados, portanto, no limite da margem de erro.

O indicativo de que os partidos de esquerda perdem mais com o cancelamento já foi sinalizado no início da ação. Quem entrou com pedido de reconsideração do cancelamento foi o PSB, apoiado posteriormente pelo PT e pelo PCdoB, que ingressaram na ação como  “amici curiae”. Na inicial, advogados do partido escreveram: “É sabido que as pessoas pobres têm menor acesso à informação e maior dificuldade de cumprir as exigências burocráticas ditadas pelo Estado. Nesse cenário, tudo indica que a maioria dos eleitores privados do direito ao voto é de cidadãos humildes”.

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